domingo, 25 de abril de 2010

Elegância no Comportamento.

"Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.
É possível detecta-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam, nas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detecta-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detecta-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante você fazer algo por alguém e este alguém jamais saber disso...
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição.
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo.
É elegante a gentileza...
Atitudes gentis, falam mais que mil imagens.
Abrir a porta para alguém... é muito elegante.
Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante.
Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza pela observação,
Mas tentar imita-la é improdutiva.
A saída é desenvolver a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com amigo não tem que ter estas frescuras”.
Educação enferruja por falta de uso.
E, detalhe: não é frescura."

Martha Medeiros ( Adoooooooooooroooo)!

terça-feira, 20 de abril de 2010

O Sotaque das Goianas


O sotaque das goianas deveria ser ilegal, imoral ou engordar... já que tudo que é bom, tem um desses horríveis efeitos colaterais... como é que o falar lindo e charmoso ficou de fora ???
Por que Deus, que sotaque!
Goiana devia nascer com uma tarja preta avisando: Ouvi-la faz mal a saúde.
Confesso: esse sotaque me desarma.
Certa vez, quase propus casamento a uma goiana que me ligou por engano.
Elas tem um ódio mortal das palavras completas, preferem, sabe-se lá por que abandoná-las no meio do caminho.
Os não-goianos, ignorantes nas coisas de Goiás, supõem, precipitada e levianamente, que os goianos vivem apenas de uais, trens e sôs. Mas vai além disso!
Goiana não fala que o sujeito é competente, ele é 'bom de serviço'.
Nunca usam o famosíssimo 'tudo bem'. Sempre perguntam 'Ce tá boa?' (pra mim, isso é pleonasmo, perguntar se uma goiana ta boa é desnecessário).
O verbo 'mexer', para as goianas tem amplos significados, quer dizer por exemplo, 'trabalhar'.
Se lhe perguntarem: 'Com o que q o ce mexe?', querem saber o seu oficio.
Goianas não dizem 'apaixonado por'. Dizem, sabe-se lá por que, 'sou doida nele' (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas 'com' alguma coisa. Também não gostam do verbo 'conseguir', aqui você nunca consegue nada, você não 'da conta'.
Que goianas nunca acabam as palavras todo mundo sabe. E um tal de 'bunitim, fechadim, pititim'.
Não caia na besteira de esperar um 'vamos' completo de uma goiana, vc não ouvirá nunca. É u tal de 'vamo', 'bora'.
Preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a goiana.
Aqui certas regras não entram.
O supermercado nunca tá lotado, sempre tá 'cheim de gente', não faz muitas compras, compra um 'tanto de coisa'. Se, saindo do supermercado, a goianinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará: 'Ai, gente, que dó'. É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas goianas. Goiano não arruma briga, 'caça confusão'.
Capaz... Se você propõe algo e ela diz: capaz!! Vocês já ouviram esse 'capaz'? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer 'ce acha que eu faço isso'? com algumas toneladas de ironia... E o 'nem', já ouviu?? Completo ele fica: 'Ahhh nemmmm!' Significa amigo, que a goiana não vai fazer o q vc propos de jeito nenhum.
Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das goianas. Goiana não pergunta, 'vc não vai?' A pergunta goianamente falando e: 'Ce não anima de ir?'.
O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Se vc em conversa falar 'Fui lá comprar umas coisas.', a goiana retrucara: ' Ques coisa?' O plural dá um pulo, sai das coisas e vai para o que.
A fórmula goiana é sintética. E diz tudo. Até o 'tchau' em Goiás é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: 'tchau procê', 'tchau procês'. É útil deixar claro o destinatário do tchau.
A conjugação dos verbos em Goiás têm lá seus mistérios.... LINDOS mistérios! E é por essas e outras que eu sou apaixonado pelas goianas, ainda não inventaram mulheres mais lindas e charmosas.